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Informação

James Gleick no livro a  A informação: uma história, uma teoria, uma enxurrada(Companhia das Letras) relata a história da informação de sua origem até a atualidade e a dificuldade constante de processar a enorme quantidade de dados produzidos. O autor faz algumas considerações sobre a escrita em ideogramas:

“A escrita chinesa começou a fazer essa transição entre 4500 e 8 mil anos atrás: signos que surgiram como imagens passaram a representar unidades de som dotadas de significado.

 

Como a unidade básica era a palavra, milhares de símbolos distintos eram necessários. Isso tem um lado eficiente e um lado ineficiente. O chinês unifica uma gama de linguagens faladas distintas: pessoas que não conseguem falar umas com as outras podem escrever umas às outras. Emprega ao menos 50 mil símbolos, dos quais 6 mil são comumente usados e conhecidos pela maioria dos chineses alfabetizados.

 

Em ágeis traços diagramáticos, eles codificam relacionamentos semânticos multidimensionais. Um recurso é a simples repetição: árvore + árvore + árvore = floresta; abstraindo mais, sol + lua = brilho, e leste + leste = toda parte. O processo de composição cria surpresas: grão + faca = lucro; mão + olho = olhar. Os caracteres podem ter seu significado alterado por meio de uma reorientação de seus elementos: de criança para nascimento, e de homem para cadáver. Alguns elementos são fonéticos, outros são até trocadilhos. Sua totalidade representa o mais rico e complexo sistema de escrita que a humanidade já desenvolveu.

 

Considerando a escrita em termos do número necessário de símbolos e da quantidade de significado transmitida por um símbolo individual, o chinês se tornou um caso extremo: o maior conjunto de símbolos, que são também individualmente os mais ricos de significado.

 

Os sistemas de escrita podiam tomar rumos alternativos: uma menor quantidade de símbolos, cada um deles carregando menos informação. Um estágio intermediário é o silabário, um sistema de escrita fonética usando caracteres individuais para representar sílabas, que podem ter significado ou não. Algumas centenas de caracteres podem transmitir uma linguagem.

 

O sistema de escrita no extremo oposto foi aquele que mais demorou para emergir: o alfabeto, um símbolo para um som mínimo. O alfabeto é a mais redutiva e subversiva das formas de escrita.”