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Mo Yan e Gong Li

Relato do Prêmio Nobel de Literatura de 2012 sobre a famosa atriz de Lanternas Vermelhas em sua autobiografia Mudança (Cosac Naify p.86-87)

No outono de 1987, Zhang Yimou chegou a Gaomi com Gong Li, Jiang Wen e toda a sua equipe para filmar Sorgo Vermelho, que naquela altura tinha o título de Qingshakou 9-9, em referência a um incidente sangrento ocorrido no nono dia do nono mês lunar num lugar chamado Qingshakou. Esse era o título escrito em vermelho na van que o grupo usava. Por que só adotaram o título Sorgo Vermelho depois de terminarem a produção do filme? Não perguntei, nem me disseram.

Naquele tempo, uma filmagem era uma tremenda novidade para o povo da aldeia Nordeste de Gaomi. Desde o início dos tempos, nunca tinha sido gravada uma única cena num lugarejo remoto como o nosso. Antes de começar o trabalho, convidei o elenco para jantar lá em casa.

Zhang Yimou e Jiang Wen vieram com a cabeça raspada e sem camisa, a pele queimada de sol. Gong Li vestia uma roupa de tecido rústico e usava um penteado típico das camponesas. Sem maquiagem, parecia uma moça comum, em nada diferente das aldeãs. Para meus conterrâneos, que acreditavam que uma atriz seria como uma fada caída do Paraíso, Gong Li foi uma decepção. Quem diria que dali a pouco mais de uma década ela se tornaria uma grande estrela internacional, delicada, elegante, graciosa e encantadora

Foto de Gong Li, Mo Yan, Jiang Wen e Zhang Yimou via Asia Society

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Leituras

When I recently visited Brazil, I talked about ramen with a Japanese-Brazilian woman who had lived in Japan for many years. She said she was quite familiar with the flavors of Japanese ramen.

According to her, connoisseurs of genuine Japanese ramen say the taste of ramen served at shops in Brazil has been deteriorating for several years. Nevertheless, more people than ever are lining up in front of the shops.

“One problem is broth, I think,” she said. “For me, there’s no true broth flavor in soup here. Another problem is that the noodles aren’t sufficiently firm. It’s partly because Brazilians don’t require it.”

Leituras

Vargas Llosa e o qi gong ?

Aos interessados em música japonesa as reportagens do Ryotaro Aoki

As mudanças da política chinesa

Desenterrando esse texto, sobre a produção de tomates no interior da China

Aprender japonês jogando videogame, do Tofugu

Alguns pontos sobre o problema do empreendedorismo no Japão

Indonésia pós Suharto

Conflitos entre médicos e pacientes na China

Violence against doctors in China has become a familiar occurrence. In September, 2011, a calligrapher in Beijing, dissatisfied with his throat-cancer treatment, stabbed a doctor seventeen times. In May, 2012, a woman attacked a young nurse in Nanjing with a knife because of complications from an operation performed sixteen years earlier. In a two-week period this February, angry patients paralyzed a nurse in Nanjing, cut the throat of a doctor in Hebei, and beat a Heilongjiang doctor to death with a lead pipe.

Aos interessados em educação sul-coreana

[Livro] Flor Negra, Kim Young-ha

” Na virada do século XX, mais de mil coreanos embarcaram em um navio, atravessaram o Atlântico e chegaram ao México, e alguns deles formaram um pequeno país nas selvas da América central”

Dividido em três partes o livro relata a emigração coreana para o México(1905), desde o início difícil decorrente de um choque cultural, exploração do trabalho nas fazendas de sisal passando pelo período de revolução mexicana e por fim a ida de alguns deles para as selvas no interior da Guatemala em um antigo povoado Maia.

Centrado no órfão Kim Iejong, na filha de um membro da nobreza Yi Yeonsu e um ex-soldado Bak Jeonghun; mostra como em tempos de instabilidade política coreana – decorrente da anexação japonesa, diferentes classes sociais buscavam uma nova vida em um país desconhecido, como o autor resume na nota ao final do livro “Do mesmo modo, o local para onde os personagens do livro esperavam ir era de uma utopia que não existia na realidade. Eles desembarcaram no lugar errado, para ali passarem toda a vida”

O romance as vezes é moroso, mas compensa pelo relato histórico iniciando pelo modo como os imigrantes adaptaram pratos da culinária coreana(no caso o kimchi de Melancia), a adaptação ao cristianismo, relações com Pancho Villa e a situação caótica do México no início do século XX e a participação como guerrilheiros em Tikal, antigo vilarejo Maia onde fundaram o pequeno país “Nova Coreia”. Bom trabalho de pesquisa desse episódio esquecido da história coreana.