Arquivo da categoria: Japão

Mangás

O blog espanhol Ramen para Dos fez uma série de matérias sobre os 20 anos do “Salón del Manga de Barcelona” como os perfis de Kengo Hanazawa (I am a Hero)  e Takeshi Obata (Death Note) que são os principais convidados do evento em 2014. O texto sobre a história do evento relata a cultura pop japonesa na Espanha e que possui algumas características parecidas com o Brasil:

Se llegó a algunas conclusiones: la primera, que ninguno de los mangas que se publicaban llegarían jamás al nivel de ventas de Dragon Ball; la segunda, que sin el apoyo del anime en televisión todo se hacía más difícil; y la tercera, que por entonces, el público no estaba preparado para aceptar aquellos mangas que se alejaban demasiado de la fantasía, la acción o la ciencia ficción

Aun así, sigo pensando que la escena manganime es poco madura. No estoy hablando sólo de una cuestión de edad, ya que es evidente que lo de ser lector de manga tiene fecha de caducidad para la mayoría (en parte porque durante muchos años no se ha publicado nada que siga interesando a lectores más creciditos). Lo que le falta a nuestra escena manganimees una base sólida, que exista realmente un espíritu crítico, un interés por el manga que vaya mucho más allá de lo que dictan las modas.

Parece que el otaku medio sufre de cierta alergia a todo aquel dibujo que se aleje de los cánones actuales, a cualquier historia que tenga más de diez años. Y así es imposible que tengamos un lector culto, con un criterio que vaya más allá de lo que sea que se publique en la Shônen Jump(con todos mis respetos a lo que se publica, por supuesto)

Quizás sea cosa mía, pero no me cabe en la cabeza que alguien que se considere fan de cualquier cosa no sienta una mínima atracción por conocer los orígenes, la historia, los precursores de todo aquello con lo que disfruta.

Japão e novos negócios

Lendo o livro do Silvio Meira sobre empreendedorismo (Novos Negócios Inovadores de Crescimento Empreendedor no Brasil) encontro uma passagem sobre a criação de um polo tecnológico no Japão:

O problema é que vez por outra a máquina estatal de incentivo à inovação [criar um negócio é, em si, um ato inovador…] e seus pilotos passam a achar que um certo nível de criacionismo vai resultar em clusters ou sistemas locais de inovação sustentáveis, o que nunca acontece na prática, mesmo quando se tem a qualidade da máquina pública e a quantidade de investimento do Japão, como mostra o fracasso dos arranjos estatais de inovação por lá e como vai, provavelmente, fracassar o polo de tecnologia de Okinawa. A razão primeira é simples: mesmo com universidades de primeira linha, com excelentes grupos de tecnologia, não há – e não se consegue impor, de uma hora pra outra – um ESPÍRITO EMPREENDEDOR nos clusters japoneses.

Link sobre o polo de tecnologia em Okinawa

Japão

Diferenças culturais

No Japão existe uma expressão, “kuuki yomenai”, que se refere a alguém que não consegue entender o clima. Na minha viagem, percebi que, com um pouco de curiosidade e de ajuda, pude melhorar minha habilidade para ler a atmosfera japonesa.

50 anos Shinkansen

Sobrenomes Japoneses

Japan has a lot of family names. According to the family name directory 日本苗字大辞典, written by Motoji Niwa (1919-2006) who spent a lifetime researching family names, place names, and Japanese family crests, there are about 300,000 family names in Japan. This takes into account some kanji orthography differences and small pronunciation differences. He also said that of those 300,000 names, around 7000 of them cover around 96% of the population, meaning 4% are considered strange and rare.

‘Abenomics’ e o mercado de arte

 

 

 

História de Manga(漫画)

Interessante esse perfil do The New York Times sobre o pitcher do New York Yankees, Masahiro Tanaka

Tanaka comes from Itami, near Osaka, in western Japan. But he chose to play baseball at a high school in the nation’s far north, 900 miles away. The field froze during the winter months, and suffering the numbing cold was among the ordeals meant to build an athlete’s stalwart character. The boys stamped on the persisting snow, attempting to level the slippery surface for a truer roll of ground balls.
 
Sobre o Koshien
 
Every young ballplayer shared a dream, to compete in the national high school tournament, known to most as the Koshien, an event in Japan as compelling as March Madness, as consequential as the World Series. Each August, 49 regional champions vie in the single-elimination tourney. Each game is nationally televised. The best players are plucked from obscurity and elevated to celebrity, as famous as any movie star.
 
Descrição do principal rival nos tempos de colegial, Yuki Saito
 
With the temperature on the field sometimes climbing above 100 degrees, Saito had the habit of pulling a folded blue hankie from his pocket to pat the sweat off his face. He was affectionately nicknamed the Handkerchief Prince.

 

 

 

Tsundoku(積ん読)

A língua japonesa é célebre por expressões e palavras que expressam uma situação muito específica como tsundere(ツンデレ) ou hikikomori(引き籠もり). Tsundoku(積ん読) refere-se ao fato de se empilhar os livros que compramos e não lemos, basicamente uma palavra nova para um hábito antigo. Uma definição do site open culture:

 
The word dates back to the very beginning of modern Japan, the Meiji era (1868-1912) and has its origins in a pun. Tsundoku, which literally means reading pile, is written in Japanese as 積ん読. Tsunde oku means to let something pile up and is written 積んでおく. Some wag around the turn of the century swapped out that oku (おく) in tsunde oku for doku (読) – meaning to read. 
 
Nassim Nicholas Taleb, por vezes acho ele com ideias muito interessantes e em outros momentos com ideias que dão sonolência, tem uma passagem de A Lógica do Cisne Negro que talvez alivie a dor de pessoas com muitas leituras pendentes:
 
“O escritor Umberto Eco pertence àquela classe restrita de acadêmicos que são enciclopédicos, perceptivos e nada entediantes. Ele é dono de uma vasta biblioteca pessoal(que contém cerca de 30 mil livros) e divide os visitantes em duas categorias: os que reagem com – “Uau! Signore professore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?”, e outros – uma minoria que entendem que uma biblioteca particular não é um apêndice para elevar o próprio ego, e sim uma ferramenta de pesquisa.Livros lidos são muito menos valiosos que os não-lidos”
 
“Você acumulará mais conhecimento e mais livros a medida que for envelhecendo, e o número crescente de livros não-lidos nas prateleiras olhará para você ameaçadoramente. Na verdade, quanto mais você souber, maiores serão as pilhas de livros não-lidos”
 
Pelo menos isso serve de desculpa para o tanto de livros parados na minha mesa.

Tanabata(七夕)

Lendo o livro Cisnes Selvagens da Jung Chang achei interessante a interpretação chinesa da lenda das estrelas Altair e Vega, que no Japão origina o festival Tanabata e na China o Qixi

 
“A três dias de viagem de caminhão de Chendu. no norte de Xichang, fica a planície do Rapaz do Búfalo.
 
Uma lenda famosa dera o nome da planície. A deusa Tecelã, filha da Rainha Mãe celeste, descia outrora da corte celeste para banhar-se num lago ali. Um rapaz que vivia à beira do lago e cuidava dos búfalos viu a deusa e os dois se apaixonaram. Casaram-se tiveram um filho e uma filha. A rainha mãe teve ciúmes da felicidade deles, e mandou alguns deuses descerem e sequestraram a deusa. Levaram-na, e o rapaz dos búfalos correu atrás deles. Quando já quase os alcançava, a Rainha Mãe tirou uma agulha da trança e abriu um imenso rio entre eles. O rio de Prata separou permanentemente o casal, a não ser no sétimo dia da última lua, quando as gralhas voam por toda a China e formam uma ponte para a família encontrar-se.
 
Rio de Prata é o nome chinês da Via Láctea. Acima de Xichang, ela parece enorme, com uma vastidão de estrelas, a brilhante Vega, a deusa Tecelã, de um lado, e Altair, o rapaz do Búfalo, com os dois filhos do outro. Essa lenda atrai os chineses há séculos, porque suas famílias foram muitas vezes divididas por guerras, bandidos, pobreza e governos cruéis”
 

Referência:

  • Cisnes Selvagens, Jung Chang – p.541

[Revista] Scientifc American Brasil – Janeiro 2014

Galileo além de ser o pai da ciência moderna, também é o nome de um dos livros do escritor de suspense Keigo Higashino; adaptado para uma série de televisão traz, o ídolo das senhoras japonesas, Masaharu Fukuyama, que interpreta o físico Manabu Yukawa e com o auxílio da ciência resolve crimes complicados. Talvez a ficção seja mais interesante que a realidade, assim como propor e resolver equações complexas para tentar explicar o funcionamento da natureza não seja uma das tarefas mais emocionantes para a maioria das pessoas.
Já o Yukawa da realidade, é o laureado do prêmio nobel de 1949 o físico teórico Hideki Yukawa(1907-1981), que além das suas pesquisas com méson foi um dos intelectuais a assinar o Manifesto de Russel-Einstein.
E uma das histórias mais interessantes da ciência nacional decorre da quase vinda de um laureado do prêmio Nobel, por causa de seus conterrâneos que não acreditavam na derrota nipônica na segunda guerra mundial como relatado no livro Corações Sujos de Fernando Morais.
A revista scientific american de janeiro de 2014 trouxe uma matéria excelente sobre a vinda de físicos teóricos para o Brasil diante de uma doação da colônia japonesa no Brasil.Separei uns trechos da matéria para os interessados no caso:
“Yukawa foi convidado para vir a um encontro internacional, o Simpósio sobre novas Técnicas de pesquisa em física, que ocorreu entre 15 e 29 de julho de 1952, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Como celebridade do momento no Japão – quase uma figura mítica depois do prêmio – ele se aproximava da condição imposta pelos kachigumi para discutir a questão do conflito: a vinda de um representante pessoal do imperador para dizer o que havia acontecido com o Japão na guerra. Os jornais japoneses noticiaram o prêmio, ressaltando as condições miseráveis da física no país naquele momento de reconstrução nacional”
“Os makegumi esclarecidos acreditavam que Yukawa, por ser um cientista, não se furtaria a dizer a verdade sobre o final do conlifto. Mas o físico não poôde vir ao Brasil. Alega-se desde a carga pesada de compromissos, a responsabilidade de reconstruir a física de seu país e até problemas de saúde na família”
Makegumi = “derrotistas” ou os corações sujos” que sabiam da derrota japonesa na segunda guerra mundial
Kachigumi = “vitoriosos” que alegavam a vitória japonesa
Referência:
“O apoio brasileiro que viabilizou a física de partículas no Japão” , Cassio Leite Vieira. Scientific American Brasil – Janeiro 2014 p.58-63

Introdução à música pop japonesa

Marty Friedman ex-membro da banda Megadeath e conhecido por ser um experiente e talentoso guitarrista  tem uma carreira pós-banda pouco ortodoxa, após deixar a banda ele foi se aventurar pelo Japão onde aparece eventualmente de programas de variedades, trabalhou com nomes da música japonesa como Momoiro Clover Z(ももいろクローバーZ) e Takamiy, tem gravados dois álbuns instrumentais com sucessos locais como Yeah meccha Holiday(Yeah! めっちゃホリディ), Butterfly e Toire no kamisama((トイレの神様). Essa história de paixão por terras nipônicas reflete-se também por seu gosto musical, sendo ele um dos grandes entusiastas da música pop japonesa, como pode ser visto na entrevista ao site Wondering sound.

Reunindo algumas anotações e pesquisas o texto abordará alguns pontos sobre a bilionária indústria musical japonesa, que de acordo com o IFPI corresponde ao segundo maior mercado de música, tem a predominância de artistas locais e mesmo com a ascensão de serviços de música online e downloads tem uma venda significativa de música em formato físico. O foco principal será na música pop, que corresponde pela maior parte das vendas e que conta com características diferentes se comparadas com o resto do mundo.

A música pop japonesa atual é uma evolução do gênero conhecido como kayokyoku(canção popular), o termo “J-pop” foi usado pela primeira vez na rádio FM J-Wave, em 1988, e é usado para referir-se à produção de música pop japonesa dos anos 90 até os dias de hoje. A denominação corresponde mais a uma divisão de mercado do que a características musicais em comum, refletindo mais a forma como a população jovem consume música.

Como trata-se de uma breve introdução ao tema, separei por partes para melhor compreensão.

Influência Ocidental

“A música japonesa pop é o resultado da mistura de temas japoneses e da forma japonesa de cantar ritmos negros cifrada de forma européia” ou, “mistura da escala pentatônica com arranjos ocidentais, baseados principalmente em gêneros da música negra norte-americana, mas também com influência da chanson francesa, da canzone italiana e de ritmos populares latino-americanos” Yoshiaki Sato traduzido pelo pesquisador Mauro Neves

Outra citação interessante é de Cristiane A. Sato no livro Japop – o poder da cultura pop japonesa: “Em termos de estilos musicais, desde os anos 80 o J-Pop aumentou o leque de ritmos ofertados ao público consumidor de música. Embora sejam considerados estilos ocidentais, no Japão esses ritmos sofrem curiosas alterações para melhor adequar-se ao gosto local. O rap e o funk nipônicos carecem da crítica social nas letras do gênero no ocidente, e seus intérpretes, embora vestidos no mais característico estilo das ruas de Los Angeles e Nova York, têm uma atitude estranhamente mais leve- até sorridente- comparada com seus similares no ocidente. Músicas disco, dance, trance e eurobeat japonesas normalmente têm um ritmo mais marcado e acelerado, e cantoras de rythym&blues cantam com voz mais aguda, levemente desafinada e um tom acima do que seria cantado no ocidente”

Karaokê

Bastante difundido no ocidente, funciona como uma importante forma de socialização na sociedade japonesa para um momento de diversão descompromissada sem os deveres e obrigações do cotidiano. Corresponde também a uma parte essencial da indústria musical japonesa em obter lucros pelo licenciamento de músicas e muitas canções são feitas para serem facilmente cantadas por qualquer pessoa.

No ranking da Joysound (empresa de karaokês) nas dez primeiras posições de 2013 temos:

Posição Artista Música
1 Golden Bomber Memeshikute(女々しくて)
2 Yoko Takahashi Zankoku no Tenshi no Tēze(残酷な天使のテーゼ)
3 Whiteflame feat. Hatsune Miku Senbonzakura(千本桜)
4 MONGOL800 Chiisa na Koi no Uta(小さな恋のうた)
5 Yo Hitoto Hanamizuki(ハナミズキ)
6 Linked Horizon Guren no Yumiya(紅蓮の弓矢)
7 Yuzu Eikō no Kakehashi(栄光の架橋)
8 GReeeeN Kiseki(キセキ)
9 AKB48 Heavy Rotation(ヘビーローテーション)
10 Bump of Chicken Tentai Kansoku(天体観測)

O ranking apresenta músicas ligadas à temas de videogames e animações no caso de Zankoku no tenshi no teze(abertura do anime Neon Genesis Evangelion), Guren no Yumiya(abertura do anime Ataque de Titãs), Senbonzakura(ligado à personagem Hatsune Miku); temas ligados à televisão como propagandas, filmes e programas de variedade como Eiko no Kakehashi(tema da NHK nos jogos olímpicos de Atenas), Hanamizuki(ligado ao filme homônimo), Chiisa na Koi no uta(ligada ao canal Space shower TV e ao doce Pocky),Kiseki(tema de abertura da novela Rookies), um grupo aidoru de grande sucesso Heavy Rotation do AKB48, e em primeiro lugar uma música de um grupo que faz mais sucesso com a parte performática e humorística no caso o Golden Bomber.

Tie-In:

São canções ligadas a novelas, filmes, animes, games e comerciais como exemplificadas no caso do ranking das músicas mais tocadas em karaokês. Representam uma forma eficaz de licenciamento e a ligação da música com o ouvinte.

Sazonalidade:

Tanto animações, novelas (também conhecidas como doramas) apresentam a divisão de temporadas pelas estações do ano, Isso acaba se refletindo em músicas que são voltadas para dias festivos, como o florescimento das flores de cerejeira, épocas de férias escolares, natal, dia dos namorados, etc.

Celebridade no Japão:

“Artistas de um modo geral são vistos como modelos a serem seguidos pela sociedade japonesa, e por isso, se esses cometem algo considerado incorreto moralmente, acabam sendo de alguma forma punidos” Mauro Neves Junior

Um exemplo está na prisão do cantor Aska, bem explicado pelo especialista em cultura japonesa Alexandre Nagado.

Diva:

Refere-se principalmente as cantoras do final dos anos 90, representadas pelo trio Namie Amuro, Ayumi Hamasaki e Utada Hikaru, onde além da música representam um estilo a ser seguido.

Aidoru(アイドル):

Explicando de forma sucinta são jovens que cantam, dançam e atuam; aparecem frequentemente na mídia e vendem uma imagem associada a jovialidade e pureza , é marcada por ser uma carreira efêmera(claro que com exceções). A maior agência atualmente é a Johnnys & Associates(agência masculina de grupos como SMAP e Arashi) e do lado feminino temos como maior expoente o AKB48.

Os próximos textos musicais terão uma melhor abordagem de alguns temas, como no caso dos “idols”, celebridaades japonesas e recomendações de álbuns.

Notas e referências:

  • O livro “Em busca do Japão contemporâneo” reúne entrevistas e ensaios sobre a cultura e sociedade japonesa, leitura interessante a qualquer interessado em entender um pouco mais sobre a sociedade japonesa. O último tema trata sobre a produção cultural na Ásia, sob o olhar do pesquisador Mauro Neves Junior, com ênfase na música popular japonesa e ao final contém uma entrevista com o autor, que fala sobre a expansão do consumo da cultura sul-coreana e os desafios da indústria cultural japonesa. “O conceito de música popular no Japão: uma perspectiva sócio-histórico-cultural” p.107
  • Mauro Neves Júnior menciona o K-Pop(música pop sul coreana) como um dos tópicos para explicar o J-Pop, não coloquei no texto em virtude da diminuição de vendas em 2014; mas como se trata de um ponto importante da cultura pop japonesa atual recomendo o texto do Otakismo sobre o tema
  • Texto do ina global sobre o mercado de karaokê
  • Japop – O poder da cultura pop japonesa, Cristiane A. Sato – p.271-313: panorama histórico da música japonesa
  • J-Pop o poder do pop nipônico outro bom texto do Alexandre Nagado sobre o tema
  • Colaboração de Marty Friedman com o grupo idol Momoiro Clover Z