Arquivo da categoria: China

Novas formas de pagamento na China

Da coluna de Ronaldo Lemos sobre a popularização do pagamento via celular na China:

A adoção do QR code como interface de pagamentos foi tão rápida e abrangente na China que mudou a percepção social sobre o que é o “dinheiro”. Para ter uma ideia, em 2016 o volume de pagamentos digitais feitos dessa forma atingiu US$ 5,5 trilhões. Se você mostrar um QR code para uma criança chinesa e perguntar o que é, ela vai dizer: “dinheiro”. É possível ver moradores de rua em Pequim carregando placas com seu QR code. Deixar um chapéu no chão na expectativa de receber doações tornou-se inviável. A chance de encontrar alguém com dinheiro no bolso é muito pequena.

 

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Importação de aço

Matéria do Estadão sobre a crise no setor siderúrgico:

O Brasil deve produzir este ano 32,75 milhões de toneladas de aço bruto, queda de 3,4% em relação a 2014. O consumo aparente deve recuar 13%, de 24,6 milhões de toneladas para 22,3 milhões de toneladas. “A queda no consumo interno não será compensada pelas exportações, uma vez que há um excedente global de 700 milhões de toneladas”, diz Lopes, do IABr.

A competitividade das indústrias do País, segundo Lopes, ainda é afetada pela China. Em 2014, a China respondeu por 52% dos 3,9 milhões de toneladas de aço importadas pelo Brasil. Entre 2009 e 2014, o Brasil dobrou o volume importado, espaço que foi ocupado pela China, que exporta 40% de sua produção. Em 2000, o produto chinês respondia por 1,3% das importações. “Se somar a importação indireta de aço (máquinas, equipamentos, peças automotivas e carros), o volume importado chega a 8,7 milhões de toneladas, superior à capacidade produtiva da Usiminas inteira.”

Celular

Um celular, 250 mil patentes – matéria da Folha de São Paulo

Um caso curioso é o da China. A empresa local Xiaomi conseguiu se tornar a terceira maior vendedora de smartphones do mundo mesmo sem ser detentora de uma grande coleção de patentes.

Isso ocorre porque quase todas essas vendas foram feitas na China, onde a aplicação de direitos de propriedade intelectual é deficiente.

Por isso, os produtos não teriam como competir no mercado dos EUA, por exemplo. Mesmo na Índia os smartphones chineses foram banidos, após a empresa ser processada pela Ericsson pelo não licenciamento de tecnologias que empregava.

A situação pode estar mudando na própria China, que montou em novembro o seu primeiro tribunal especializado em propriedade intelectual, em boa medida por pressão do governo americano.

Informação

James Gleick no livro a  A informação: uma história, uma teoria, uma enxurrada(Companhia das Letras) relata a história da informação de sua origem até a atualidade e a dificuldade constante de processar a enorme quantidade de dados produzidos. O autor faz algumas considerações sobre a escrita em ideogramas:

“A escrita chinesa começou a fazer essa transição entre 4500 e 8 mil anos atrás: signos que surgiram como imagens passaram a representar unidades de som dotadas de significado.

 

Como a unidade básica era a palavra, milhares de símbolos distintos eram necessários. Isso tem um lado eficiente e um lado ineficiente. O chinês unifica uma gama de linguagens faladas distintas: pessoas que não conseguem falar umas com as outras podem escrever umas às outras. Emprega ao menos 50 mil símbolos, dos quais 6 mil são comumente usados e conhecidos pela maioria dos chineses alfabetizados.

 

Em ágeis traços diagramáticos, eles codificam relacionamentos semânticos multidimensionais. Um recurso é a simples repetição: árvore + árvore + árvore = floresta; abstraindo mais, sol + lua = brilho, e leste + leste = toda parte. O processo de composição cria surpresas: grão + faca = lucro; mão + olho = olhar. Os caracteres podem ter seu significado alterado por meio de uma reorientação de seus elementos: de criança para nascimento, e de homem para cadáver. Alguns elementos são fonéticos, outros são até trocadilhos. Sua totalidade representa o mais rico e complexo sistema de escrita que a humanidade já desenvolveu.

 

Considerando a escrita em termos do número necessário de símbolos e da quantidade de significado transmitida por um símbolo individual, o chinês se tornou um caso extremo: o maior conjunto de símbolos, que são também individualmente os mais ricos de significado.

 

Os sistemas de escrita podiam tomar rumos alternativos: uma menor quantidade de símbolos, cada um deles carregando menos informação. Um estágio intermediário é o silabário, um sistema de escrita fonética usando caracteres individuais para representar sílabas, que podem ter significado ou não. Algumas centenas de caracteres podem transmitir uma linguagem.

 

O sistema de escrita no extremo oposto foi aquele que mais demorou para emergir: o alfabeto, um símbolo para um som mínimo. O alfabeto é a mais redutiva e subversiva das formas de escrita.”

China e América Latina

Link sobre a viagem em julho de 2014 do presidente Xi Jinping

Xi Jinping’s 10-day trip to Latin America in July 2014 constitutes an
important milestone in the development of China-Latin America relations,
marking the first major visit to this increasingly important region for a top
Chinese leader since the extensive trip taken by Hu Jintao in 2004. The
trip occurred during an increase in various economic difficulties between
Beijing and the region after a multi-year period of rapid growth. Xi’s trip
was intended in part to revitalize Beijing’s economic relationship with
some key South American states through new trade and investment deals
and initiatives.

Xi’s event-packed tour of four major Latin American nations marked the intensification
of Beijing’s relationship with a region that has become increasingly important in overall
Chinese foreign policy and development strategy. Since 2000, Chinese presidents have
visited Latin America six times. Excluding Xi’s two trips, these include: Jiang Zemin’s
2001 visit to Argentina, Brazil, Chile, Cuba, Uruguay, and Venezuela and his 2002 visit
to Mexico; and Hu Jintao’s state visit in 2004 to Argentina, Brazil, Chile, and Cuba, to
Mexico in 2005, Costa Rica, Cuba, and Peru in 2008, and Brazil in 2010).

Mo Yan e Gong Li

Relato do Prêmio Nobel de Literatura de 2012 sobre a famosa atriz de Lanternas Vermelhas em sua autobiografia Mudança (Cosac Naify p.86-87)

No outono de 1987, Zhang Yimou chegou a Gaomi com Gong Li, Jiang Wen e toda a sua equipe para filmar Sorgo Vermelho, que naquela altura tinha o título de Qingshakou 9-9, em referência a um incidente sangrento ocorrido no nono dia do nono mês lunar num lugar chamado Qingshakou. Esse era o título escrito em vermelho na van que o grupo usava. Por que só adotaram o título Sorgo Vermelho depois de terminarem a produção do filme? Não perguntei, nem me disseram.

Naquele tempo, uma filmagem era uma tremenda novidade para o povo da aldeia Nordeste de Gaomi. Desde o início dos tempos, nunca tinha sido gravada uma única cena num lugarejo remoto como o nosso. Antes de começar o trabalho, convidei o elenco para jantar lá em casa.

Zhang Yimou e Jiang Wen vieram com a cabeça raspada e sem camisa, a pele queimada de sol. Gong Li vestia uma roupa de tecido rústico e usava um penteado típico das camponesas. Sem maquiagem, parecia uma moça comum, em nada diferente das aldeãs. Para meus conterrâneos, que acreditavam que uma atriz seria como uma fada caída do Paraíso, Gong Li foi uma decepção. Quem diria que dali a pouco mais de uma década ela se tornaria uma grande estrela internacional, delicada, elegante, graciosa e encantadora

Foto de Gong Li, Mo Yan, Jiang Wen e Zhang Yimou via Asia Society

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Indústrias chinesas

Lendo a lista da Forbes dos bilionários brasileiros achei um nome interessante da lista Liu Ming Chung, CEO da Nine Dragons Paper. Na Época Negócios tem uma reportagem de 2010 sobre a carreira do empresário

Poucas pessoas podem apontar para um acontecimento singular e dizer que esse fato mudou suas vidas. Para Liu Ming Chung, esse momento foi o dia em que conheceu, numa visita a Hong Kong, no final de 1988, aquela que viria a ser sua esposa. Liu estava na cidade para vender aço brasileiro a estatais chinesas. Havia abandonado a odontologia – profissão que exerceu por alguns anos em São Paulo – em busca de oportunidades no comércio internacional.

Mais um artigo sobre as dificuldades da política industrial chinesa

O governo está apertando as regras para controlar suas operações, reduzindo drasticamente os salários da alta administração, aumentando o grau de transparência de suas contas, determinando que as estatais abram o capital de modo a levá-las a adotar práticas de mercado. O resultado, no entanto, é lento.

Tanabata(七夕)

Lendo o livro Cisnes Selvagens da Jung Chang achei interessante a interpretação chinesa da lenda das estrelas Altair e Vega, que no Japão origina o festival Tanabata e na China o Qixi

 
“A três dias de viagem de caminhão de Chendu. no norte de Xichang, fica a planície do Rapaz do Búfalo.
 
Uma lenda famosa dera o nome da planície. A deusa Tecelã, filha da Rainha Mãe celeste, descia outrora da corte celeste para banhar-se num lago ali. Um rapaz que vivia à beira do lago e cuidava dos búfalos viu a deusa e os dois se apaixonaram. Casaram-se tiveram um filho e uma filha. A rainha mãe teve ciúmes da felicidade deles, e mandou alguns deuses descerem e sequestraram a deusa. Levaram-na, e o rapaz dos búfalos correu atrás deles. Quando já quase os alcançava, a Rainha Mãe tirou uma agulha da trança e abriu um imenso rio entre eles. O rio de Prata separou permanentemente o casal, a não ser no sétimo dia da última lua, quando as gralhas voam por toda a China e formam uma ponte para a família encontrar-se.
 
Rio de Prata é o nome chinês da Via Láctea. Acima de Xichang, ela parece enorme, com uma vastidão de estrelas, a brilhante Vega, a deusa Tecelã, de um lado, e Altair, o rapaz do Búfalo, com os dois filhos do outro. Essa lenda atrai os chineses há séculos, porque suas famílias foram muitas vezes divididas por guerras, bandidos, pobreza e governos cruéis”
 

Referência:

  • Cisnes Selvagens, Jung Chang – p.541

Outros tempos

Recomendo esses textos do James Palmer sobre a sociedade chinesa: http://aeon.co/magazine/author/james-palmer/

Zhang Jun, a 26-year-old PhD student, described the situation: ‘It’s not just a generation gap. It’s a values gap, a wealth gap, an education gap, a relationships gap, an information gap.’ Lin Meilian, 30, and a journalist, bluntly stated: ‘I have nothing in common with my mother. We can’t talk about anything. She doesn’t understand how I choose to live my life.’