Trópicos utópicos

No livro de Eduardo Giannetti uma citação sobre o Japão:

Quando surgiram as primeiras câmeras analógicas portáteis de baixo custo, lá pelos idos dos anos 1970, a febre dos turistas japoneses despertou a surpresa — e a derrisão — do mundo. “Ocupam-se mais em fotografar tudo que aparece do que em ver e apreciar as coisas!”, era o comentário comum, quase um clichê, na época. Visto de hoje, contudo, o quadro é bem outro: de mera idiossincrasia nipônica, o furor fotográfico — vide as selfies — virou mania universal. Os turistas japoneses não eram uma aberração risível, como ingenuamente se supunha, mas apenas o prólogo singelo ou vanguarda do que viria a se tornar banal.

A segunda inovação são as “bulusela shops”. Ao retornarem exaustos para casa depois de um árduo dia de trabalho, os commuters japoneses têm ao seu dispor um tônico revigorante do ânimo e da fantasia: calcinhas femininas usadas, embaladas a vácuo e encharcadas de feromônio genital, vendidas a preços módicos em máquinas automáticas de venda. — Onde a demanda pipoca, a oferta se faz: do que o mercado — essa gigantesca caixa registradora de gostos e preferências — não é capaz? Mas serão os consumidores nipônicos assim porque são assim ou porque ficaram assim? E não serão eles apenas a avant-garde do que em breve será praxe no mercado global?

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